Walnut – A Travessia de Augusto
Augusto sempre acreditou que estabilidade era sinônimo de segurança. Passara trinta anos na mesma empresa, subindo degrau por degrau, acumulando conhecimento, respeito e uma certa aura de autoridade silenciosa. Era o tipo de profissional que sabia onde cada documento estava arquivado, lembrava datas, processos, histórias e até erros cometidos por equipes que já nem existiam mais. Para muitos, ele era uma espécie de guardião da memória corporativa. Para outros, um obstáculo vivo à inovação.
O mundo corporativo, porém, não respeita memórias. Ele avança, atropela, reinventa, substitui. E, nos últimos anos, Augusto começou a sentir que o chão sob seus pés já não era tão firme. A empresa adotava metodologias ágeis, softwares novos, modelos híbridos, inteligência artificial, dashboards automatizados. E ele, que sempre fora referência, agora se via perdido em reuniões onde todos pareciam falar uma língua estrangeira.
A agressividade do ambiente só piorava a situação. A competitividade era estimulada como se fosse virtude absoluta. Líderes disputavam espaço como gladiadores, e a falta de ética era tratada como “estratégia”. Jovens profissionais, ansiosos por reconhecimento, atropelavam processos, ignoravam hierarquias e tratavam Augusto como um vestígio de um tempo ultrapassado. Ele sentia o peso de cada olhar impaciente, de cada comentário velado, de cada reunião onde suas sugestões eram ignoradas.
A resistência às mudanças se tornou sua armadura. Sempre que alguém apresentava uma nova ferramenta, ele dizia que não funcionaria. Quando propunham um novo fluxo, ele afirmava que já haviam tentado antes. Quando falavam de inovação, ele respondia que aquilo era modismo. Era sua forma de se proteger, embora não percebesse que, ao erguer muros, também se isolava.
O ápice aconteceu em uma reunião estratégica. A empresa estava prestes a implementar um novo sistema de gestão, e todos estavam empolgados — menos Augusto. Quando o consultor externo começou a explicar as funcionalidades, Augusto interrompeu, irritado, dizendo que aquilo era perda de tempo, que o sistema atual era suficiente, que estavam desperdiçando dinheiro. Sua voz saiu mais alta do que pretendia, carregada de frustração acumulada. O silêncio que se seguiu foi devastador. Não era o silêncio respeitoso de outros tempos. Era o silêncio desconfortável de quem assiste a alguém perder o controle.
Naquela noite, Augusto chegou em casa exausto. Sentia-se deslocado, como se o mundo tivesse avançado sem ele. A esposa, percebendo seu estado, sugeriu que buscasse ajuda. Não psicoterapia — ele não estava pronto para isso — mas algo que o ajudasse a lidar com a transição emocional que vivia. Falou sobre Terapia Floral. Ele riu, mas o riso era frágil. No fundo, sabia que precisava de algo. De qualquer coisa.
Decidiu procurar um terapeuta floral da área da saúde, habilitado pelo seu Conselho Profissional. Durante a consulta, falou sobre sua resistência, seu medo, sua sensação de estar sendo engolido pelo novo. O terapeuta ouviu com atenção, sem julgamentos, e explicou que mudanças profundas exigem proteção interna. Disse que prepararia uma fórmula personalizada, associando diferentes florais, mas que o floral central seria Walnut — o floral da adaptação, da travessia, da capacidade de seguir adiante sem se deixar aprisionar pelo passado.
Augusto levou o frasco para casa. Tomou sem acreditar muito. Mas tomou.
Os primeiros dias foram sutis. Nada espetacular. Mas algo dentro dele começou a se mover. Não era entusiasmo, nem aceitação imediata. Era apenas… espaço. Um pequeno espaço entre o estímulo e a reação. Um intervalo onde, antes, só havia resistência automática.
Na semana seguinte, durante uma reunião sobre o novo sistema, ele percebeu que não estava tão reativo. Ainda desconfiado, ainda resistente — mas menos tenso. Em vez de interromper, ouviu. Em vez de criticar, perguntou. Em vez de rejeitar, considerou. Foi um pequeno passo. Mas, para alguém que vivia preso ao passado, foi um salto.
Com o passar das semanas, Augusto começou a perceber que a mudança não era um inimigo. Era um convite. Um convite para aprender, para se reinventar, para descobrir que ainda havia espaço para ele — desde que ele abrisse espaço dentro de si. Um dia, surpreendeu a equipe ao pedir que alguém lhe explicasse o novo processo. Os colegas se entreolharam, incrédulos. Mas felizes. Era como ver uma porta antiga finalmente se abrindo.
A transformação não foi rápida. Nem linear. Houve recaídas, irritações, momentos de dúvida. Mas, pouco a pouco, Augusto começou a perceber que sua identidade profissional não estava ameaçada pela mudança. Ela estava sendo ampliada. Ele não precisava abandonar quem era. Apenas precisava permitir que novas versões de si mesmo surgissem.
Walnut não apagou seu medo. Não o transformou em outra pessoa. Não o fez amar mudanças. Mas o ajudou a atravessá-las. A não se sentir ameaçado por elas. A perceber que a vida — e o mundo corporativo — não pedem que sejamos de ferro, mas que sejamos flexíveis. Porque rigidez quebra. Flexibilidade transforma.
E Augusto descobriu que, às vezes, o maior ato de coragem é permitir-se mudar.
Carlos Santarem -WhatsApp (21) 985096130 Farmacêutico e Terapeuta Holístico Com especialização em Terapia Floral reconhecida pelo CRF-RJ #terapiafloral #foralterapia #somatizacão
